segunda-feira, 20 de março de 2017

O Carnaval


Tanto riso, tanta alegria...
E o carnaval se foi.
Serpentinas pisadas confetes
Amassados e amarrotados.
O carnaval se foi
Foi-se nas madrugadas.
A lágrima do Pierrot estática
Na face cansada e dolorida
Só a saudade no insistente
Perfume.
Os abraços do palhaço
Desfizeram-se na noite.
Foi-se o amor da folia
Também se foi a Colombina.
Roupas amassadas cheiro
Da bebida embriagada
Nos olhares turvos inexpressivos.
Foram-se serpentinas e confetes.
Foi-se o laço de renda da baiana
A saia da cigana e o anonimato
Atrás da máscara que chorava.
Também dancei no silêncio
De mim mesma.
Expectadora de sorrisos
Disfarçados e sofridos.
Só. A música tocava e eu?
Estava só.
Renasce o silêncio.
Calou-se a bateria e tudo se
Calou.
Meu coração aquietou.

Eu? Ah, eu continuava só 

Elizabeth Bevilacqua Areco

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